
sábado, outubro 25, 2008
sábado, setembro 20, 2008
INCONFIDÊNCIAS # 7
Coimbrinha: Cada cidade tem a sua alma e um carácter próprios. Um povo concreto e uma história, feita e a refazer-se diariamente, que a diferencia das demais. O mesmo se passa com Coimbra. Quando cá estamos não perdemos uma oportunidade para dizer mal. Certamente, muitas vezes com razão. Mas quando viajamos para os confins do mundo, estejamos no Saara ou nos Alpes, no Rio de Janeiro ou em Pequim, nos Estados Unidos ou no Egipto, lembramo-nos invariavelmente de onde somos e de quanto afinal gostamos dela. E se há segredo para este encantamento por Coimbra, talvez se deva ao facto de ser mulher e portanto misteriosa.
Reequilibrismo: o poder autárquico será tanto mais forte quanto não abdicar de representar a sua comunidade e de assumir-se de facto como poder local, independente do poder central e dos interesses. E isto depende dos políticos que temos e das políticas que querem. Dos políticos espera-se que pensem menos nos seus interesses pessoais e mais no exercício honesto das suas funções. E que, mesmo na diferença, se tratem com urbanidade e com urbanidade tratem os cidadãos e o que eles representam. Das políticas, provavelmente haverá que redefinir prioridades e concentrar esforços e meios noutros alvos, como seja o social. É tudo uma questão de reequilíbrio. Porque o futuro já começou.
Água das Fontes: se o que se passa com a construção do novo Hospital Pediátrico não fosse uma vergonha, até seria caso para readaptar o anedotário nacional. Que importância tem que a ARS admitisse um desvio de 18% e a firma contratada para fiscalizar a empreitada uma derrapagem de 25%? Que consequência politica resulta dos construtores reclamarem mais 53% do montante da adjudicação? Garantidamente o Estado, o fiscal, o construtor e mais uma fiada interminável de intervenientes não têm culpa nenhuma. Resta perguntar ao cimento que responderá lá estar e ao ferro que dirá o mesmo, acrescentando talvez um espantado – porquê eu? Finalmente, com todos de olhos postos na água, a ultima a ser inquirida e que não tem outro remédio senão arcar com as culpas, timidamente dirá baixinho que, desde há séculos, nunca de lá saiu!
Tolos: Coimbra perdeu a sede central do Turismo Centro Portugal, a entidade que substitui a Região de Turismo do Centro. Com os estatutos já homologados a sede vai para o distrito de Aveiro e haverá 4 delegações - Coimbra, Viseu, Guarda e Castelo Branco. Perante a revisitação de mais uma perda para Coimbra, parece agora que está quase inventada a fórmula para enganar e convencerem-nos a nós, os tolos. A coisa fica a meio caminho - um pulinho apenas - ali para as bandas do Buçaco ou da Curia. E os tolos somos nós?
Mamma Mia: mesmo para quem já tinha visto o musical ou para quem nunca apreciou a música dos Abba e desdenhou do ex-Bond Pierce Brosnan, o filme recomenda-se. Porque está lá Meryl Streep no seu melhor. Porque, quanto mais não seja, são duas horas sem pensar neste Portugal dos Pequenitos.
Abraços de Urso: “Se calhar se tivesse chegado há seis anos as dificuldades não seriam tantas.” E “Se não conseguir impor as minhas ideias saio pela mesma porta que entrei na Académica”. (do Vice da AAC/OAF Jorge Alexandre em entrevista ao Diário de Coimbra)
Aviso à Navegação: Não percebo por que é que o PS arrisca uma séria querela político-institucional com Belém por causa do caprichismo radical dos partidos açoreanos. (Vital Moreira no Causa Nossa)
Reequilibrismo: o poder autárquico será tanto mais forte quanto não abdicar de representar a sua comunidade e de assumir-se de facto como poder local, independente do poder central e dos interesses. E isto depende dos políticos que temos e das políticas que querem. Dos políticos espera-se que pensem menos nos seus interesses pessoais e mais no exercício honesto das suas funções. E que, mesmo na diferença, se tratem com urbanidade e com urbanidade tratem os cidadãos e o que eles representam. Das políticas, provavelmente haverá que redefinir prioridades e concentrar esforços e meios noutros alvos, como seja o social. É tudo uma questão de reequilíbrio. Porque o futuro já começou.
Água das Fontes: se o que se passa com a construção do novo Hospital Pediátrico não fosse uma vergonha, até seria caso para readaptar o anedotário nacional. Que importância tem que a ARS admitisse um desvio de 18% e a firma contratada para fiscalizar a empreitada uma derrapagem de 25%? Que consequência politica resulta dos construtores reclamarem mais 53% do montante da adjudicação? Garantidamente o Estado, o fiscal, o construtor e mais uma fiada interminável de intervenientes não têm culpa nenhuma. Resta perguntar ao cimento que responderá lá estar e ao ferro que dirá o mesmo, acrescentando talvez um espantado – porquê eu? Finalmente, com todos de olhos postos na água, a ultima a ser inquirida e que não tem outro remédio senão arcar com as culpas, timidamente dirá baixinho que, desde há séculos, nunca de lá saiu!
Tolos: Coimbra perdeu a sede central do Turismo Centro Portugal, a entidade que substitui a Região de Turismo do Centro. Com os estatutos já homologados a sede vai para o distrito de Aveiro e haverá 4 delegações - Coimbra, Viseu, Guarda e Castelo Branco. Perante a revisitação de mais uma perda para Coimbra, parece agora que está quase inventada a fórmula para enganar e convencerem-nos a nós, os tolos. A coisa fica a meio caminho - um pulinho apenas - ali para as bandas do Buçaco ou da Curia. E os tolos somos nós?
Mamma Mia: mesmo para quem já tinha visto o musical ou para quem nunca apreciou a música dos Abba e desdenhou do ex-Bond Pierce Brosnan, o filme recomenda-se. Porque está lá Meryl Streep no seu melhor. Porque, quanto mais não seja, são duas horas sem pensar neste Portugal dos Pequenitos.
Abraços de Urso: “Se calhar se tivesse chegado há seis anos as dificuldades não seriam tantas.” E “Se não conseguir impor as minhas ideias saio pela mesma porta que entrei na Académica”. (do Vice da AAC/OAF Jorge Alexandre em entrevista ao Diário de Coimbra)
Aviso à Navegação: Não percebo por que é que o PS arrisca uma séria querela político-institucional com Belém por causa do caprichismo radical dos partidos açoreanos. (Vital Moreira no Causa Nossa)
segunda-feira, setembro 08, 2008
INCONFIDÊNCIAS # 6
Em férias há quem trabalhe. Até porque há “Vida para além da Vita”. E há quem não o fazendo, se inunde de diários e semanários que esvoaçam pela praia. Mas, para quem férias são férias, nada como regressar de olhos límpidos e, em minutos, voltar a zangar-se com a paróquia e com o mundo:
1. Algarve e Dubai: A polémica proibição imposta à prática de massagens nas praias algarvias (pois sabe-se como começam, mas não como acabam...) parece, afinal, ter sido inspirada da islâmica legislação em vigor no Dubai, onde um casal inglês está a ser acusado de fazer sexo numa praia e incorre, por isso, numa pena de até seis anos de prisão. Os satânicos acusados, alegam que estavam apenas a "trocar carícias", mas, como muito bem sabem as autoridades algarvias, a troca de carícias é mais de meio caminho percorrido a caminho da perdição. (M.J.M. no Teatro Anatómico)
2. Nenhum silêncio é inocente: diz-se que Manuela Ferreira Leite vai "quebrar o silêncio". Diz-se que esse magno acontecimento ocorrerá no domingo, no encerramento da Universidade de Verão do PSD. Diz-se, numa amarga perturbação, que a calada senhora, a fim de manter a estratégia da inaudibilidade - apenas sussurrará. (Baptista-Bastos no Surumbático)
3. Taxa Robin dos Bosques: Como é que funciona a taxa Robin dos Bosques quando o petróleo desce de $147 para $109? O valor dos stocks da Galp baixou. Desaparecem os tais lucros escandalosos e injustificáveis. O que é que acontece agora? O Estado vai pagar 25% do prejuízo da Galp? (João Miranda no Blasfémias)
4. Ajudinha desinteressada: Parece que o CDS está num transe porque de repente descobriram que não têm vice-presidentes. Sugiro a Portas que convide o militante doador Jacinto Leite Capelo Rego. De certezinha que ele aceita por sacrifício, militância e quiçá com mais uma contibuiçãozinha para os cofres do partido. (Jorge Ferreira no Tomar Partido)
5. Normas Disciplinares: "Artº...º(...) 5 - E é permitido ainda o ataque traiçoeiro ao gasganete do juiz auxiliar, mesmo que no decurso do encontro e no exercício das suas funções, perpetrado por adepto, sócio ou outro, mediante o pagamento posterior de uma contrapartida de valor nunca superior a 5.000,00 €." (Vasco Lobo Xavier no Mar Salgado)
6. Desconfiar: Somos controlados pela Via Verde, pelo Cartão Único, pelo trajecto dos cartões de crédito, pelos cartões magnéticos dos hotéis, pelo acesso às nossas contas e impostos, pelos registos nas cartas de condução, pelas fichas clínicas (que não são sigilosas), pela ficha de cliente de uma loja – e agora também pelo chip electrónico na matrícula dos automóveis. (…) Entrámos na era da desconfiança. Também nós devemos desconfiar. (Francisco José Viegas na Origem das Espécies)
7. Parece: que a actriz e modelo Lisa Snowdon está sem namorado há 1 ano. É que o último foi George Clooney, e agora todos os tipos que ela conhece têm medo de serem o homem a seguir a George Clooney. A competição é a doença infantil da masculinidade. (Pedro Mexia no Estado Civil)
1. Algarve e Dubai: A polémica proibição imposta à prática de massagens nas praias algarvias (pois sabe-se como começam, mas não como acabam...) parece, afinal, ter sido inspirada da islâmica legislação em vigor no Dubai, onde um casal inglês está a ser acusado de fazer sexo numa praia e incorre, por isso, numa pena de até seis anos de prisão. Os satânicos acusados, alegam que estavam apenas a "trocar carícias", mas, como muito bem sabem as autoridades algarvias, a troca de carícias é mais de meio caminho percorrido a caminho da perdição. (M.J.M. no Teatro Anatómico)
2. Nenhum silêncio é inocente: diz-se que Manuela Ferreira Leite vai "quebrar o silêncio". Diz-se que esse magno acontecimento ocorrerá no domingo, no encerramento da Universidade de Verão do PSD. Diz-se, numa amarga perturbação, que a calada senhora, a fim de manter a estratégia da inaudibilidade - apenas sussurrará. (Baptista-Bastos no Surumbático)
3. Taxa Robin dos Bosques: Como é que funciona a taxa Robin dos Bosques quando o petróleo desce de $147 para $109? O valor dos stocks da Galp baixou. Desaparecem os tais lucros escandalosos e injustificáveis. O que é que acontece agora? O Estado vai pagar 25% do prejuízo da Galp? (João Miranda no Blasfémias)
4. Ajudinha desinteressada: Parece que o CDS está num transe porque de repente descobriram que não têm vice-presidentes. Sugiro a Portas que convide o militante doador Jacinto Leite Capelo Rego. De certezinha que ele aceita por sacrifício, militância e quiçá com mais uma contibuiçãozinha para os cofres do partido. (Jorge Ferreira no Tomar Partido)
5. Normas Disciplinares: "Artº...º(...) 5 - E é permitido ainda o ataque traiçoeiro ao gasganete do juiz auxiliar, mesmo que no decurso do encontro e no exercício das suas funções, perpetrado por adepto, sócio ou outro, mediante o pagamento posterior de uma contrapartida de valor nunca superior a 5.000,00 €." (Vasco Lobo Xavier no Mar Salgado)
6. Desconfiar: Somos controlados pela Via Verde, pelo Cartão Único, pelo trajecto dos cartões de crédito, pelos cartões magnéticos dos hotéis, pelo acesso às nossas contas e impostos, pelos registos nas cartas de condução, pelas fichas clínicas (que não são sigilosas), pela ficha de cliente de uma loja – e agora também pelo chip electrónico na matrícula dos automóveis. (…) Entrámos na era da desconfiança. Também nós devemos desconfiar. (Francisco José Viegas na Origem das Espécies)
7. Parece: que a actriz e modelo Lisa Snowdon está sem namorado há 1 ano. É que o último foi George Clooney, e agora todos os tipos que ela conhece têm medo de serem o homem a seguir a George Clooney. A competição é a doença infantil da masculinidade. (Pedro Mexia no Estado Civil)
terça-feira, setembro 02, 2008
sábado, julho 12, 2008
INCONFIDÊNCIAS # 5
GRITOS E APITOS: mesmo quando não quero falar de certos assuntos, as teclas do meu computador disparam, tomam conta dos casos e entram, contra a minha vontade, numa espécie de auto-gestão. É o que se passa com o nacional futeboliço. Nunca me passou pela cabeça dizer que a coisa exala cheiro de pântano. Que há golpes e contra-golpes. Que todos e cada um são do clube do seu egoísmo e mandam o bom senso às malvas. Que a UEFA e a PGR parecem preocupadas. Que a FPF é má e a Liga não descola, enquanto aí se perpetuarem alguns dinossauros que fazem pela vidinha. Que o Benfica, o Guimarães, o Porto, o Boavista e outros que tais, estão de olho nas lacunas regulamentares. Que o Governo balbucia frases incompreensíveis, parecendo desejar a posição de Pilatos. Até quando? Que o Professor Marcelo está convicto que sim mas, e o Professor Freitas está confiante nos próximos quinze dias. Que a trafulhice passada e presente atingiram o seu melhor nível e o mais óbvio dos requintes de malvadez. Quem se meteu neste futebol sabe que não há espaço para virgens ofendidas. Há que rejeitá-lo ou aceitá-lo em pacote. E no pacote vem tudo, incluindo o que o mundo do futebol tem de degradante e mais o que a sociedade regurgita. Enquanto eu nego ter dito tudo isto, acusem o meu computador de escrever patranhas tamanhas.
PORQUÉ NO TE CALLAS?: é o pedido que muito dirigente socialista, e não só, deve fazer todas as semanas quando são publicados os escritos de João Silva. Conheci-o enquanto liderou a bancada do PS na Assembleia Municipal. Travei com ele, sem tréguas, um interessante e irrepetível combate político. Sempre nos respeitámos na diversidade de opiniões. Confesso-me seu leitor atento, mesmo quando não perdoa aos que eu defendo. Um dos problemas coimbrinhas é exactamente a polémica e o debate, esquecendo por agora a maledicência, morrerem invariavelmente na mesa do café da esquina. Porque para escrever ou dizer em voz alta o que sinceramente se pensa “hay que tenerlos!”. Quanto mais não seja, é uma questão de sanidade político-partidária local que ele não se cale publicamente. Porque a unanimidade é imbecil em si mesma.
POR EXEMPLO: a libertação de Ingrid Batencourt, das garras da FARC, foi uma excelente notícia. A contrapor às desgraças do mundo que consumimos e nos consomem os dias. O exemplo de Ingrid é inspirador, porque nos faz acreditar que ainda há coisas que podem terminar como mais desejamos.
AFINAL: o Banco Mundial considera os biocombustiveis a causa do aumento em flecha do preço dos alimentos. Enquanto a União Europeia se debruça sobre o tema, o grandioso objectivo português de 10% até 2010 devia merecer já uma correcção de trajectória.
HÁ IR E VOLTAR: Paula Bobone apresentou o livro "Manual de Instruções para Homens de Sucesso". Imperdível para este verão quente, entre uma bola de berlim, um gelado derretido e o vozeirão da vizinha da barraca ao lado que não larga o telemóvel. E que tem um cachorrinho amoroso que faz focinho de odiar-nos há séculos.
POR FALAR NISSO: “…Sexo é do bom; Amor é do bem...” (Salvador Massano Cardoso, no Quarta República)
PORQUÉ NO TE CALLAS?: é o pedido que muito dirigente socialista, e não só, deve fazer todas as semanas quando são publicados os escritos de João Silva. Conheci-o enquanto liderou a bancada do PS na Assembleia Municipal. Travei com ele, sem tréguas, um interessante e irrepetível combate político. Sempre nos respeitámos na diversidade de opiniões. Confesso-me seu leitor atento, mesmo quando não perdoa aos que eu defendo. Um dos problemas coimbrinhas é exactamente a polémica e o debate, esquecendo por agora a maledicência, morrerem invariavelmente na mesa do café da esquina. Porque para escrever ou dizer em voz alta o que sinceramente se pensa “hay que tenerlos!”. Quanto mais não seja, é uma questão de sanidade político-partidária local que ele não se cale publicamente. Porque a unanimidade é imbecil em si mesma.
POR EXEMPLO: a libertação de Ingrid Batencourt, das garras da FARC, foi uma excelente notícia. A contrapor às desgraças do mundo que consumimos e nos consomem os dias. O exemplo de Ingrid é inspirador, porque nos faz acreditar que ainda há coisas que podem terminar como mais desejamos.
AFINAL: o Banco Mundial considera os biocombustiveis a causa do aumento em flecha do preço dos alimentos. Enquanto a União Europeia se debruça sobre o tema, o grandioso objectivo português de 10% até 2010 devia merecer já uma correcção de trajectória.
HÁ IR E VOLTAR: Paula Bobone apresentou o livro "Manual de Instruções para Homens de Sucesso". Imperdível para este verão quente, entre uma bola de berlim, um gelado derretido e o vozeirão da vizinha da barraca ao lado que não larga o telemóvel. E que tem um cachorrinho amoroso que faz focinho de odiar-nos há séculos.
POR FALAR NISSO: “…Sexo é do bom; Amor é do bem...” (Salvador Massano Cardoso, no Quarta República)
terça-feira, julho 08, 2008
Caderno dos Delírios
Aos anteriores pecados capitais - gula, luxúria, avareza, ira, soberba, inveja e preguiça - o arcebispo Gianfranco Girotti, ao que parece em nome do Vaticano, acrescentou a manipulação genética, o uso de drogas, a desigualdade social e a poluição ambiental.
Nada que me preocupe, desde que não incluam: Roma, Paris, Nova Iorque, Rio de Janeiro. E, já agora, Coimbra!
sábado, junho 28, 2008
Almocreve das Petas
"O Almocreve de Petas ou a Moral Disfarçada da Vida", foi um periódico publicado em 1798 por José Daniel Rodrigues da Costa. Em 1910 sob direcção de Couto Brandão surge "O Almocreve das Petas".
O almocreve era uma pessoa que conduzia animais de uma terra para outra. Numa época de comunicações limitadas, os almocreves eram essenciais como agentes de comunicação inter-comunitária. Lampião, o temível cangaceiro, foi almocreve.
As petas são mentiras, mentirolas, patranhas, contos, logros...
O almocreve era uma pessoa que conduzia animais de uma terra para outra. Numa época de comunicações limitadas, os almocreves eram essenciais como agentes de comunicação inter-comunitária. Lampião, o temível cangaceiro, foi almocreve.
As petas são mentiras, mentirolas, patranhas, contos, logros...
segunda-feira, junho 23, 2008
CADERNO DOS DELÍRIOS
Posta que me foi a duvida, despachei o embaraço de perceber se é preferível ir para a "guerra" com um traidor a ir com um tolo. O traidor dá-nos um tiro no coração a qualquer instante. O tolo, em todas as ocasião em que tropeça nos atacadores, tantos dá até que nos acerta com um fogacho na cabeça. A traidores e a tolos, ou a tolos traidores, quando me falam em não fechar portas, indico-lhes sempre a da rua. E a minha rua é um rio de enxurradas.
domingo, junho 22, 2008
INCONFIDÊNCIAS # 4
RECANDIDATURA: Carlos Encarnação pôs as cartas na mesa. Anunciou a intenção de se recandidatar à Presidência da Câmara de Coimbra. Para um político experiente pode parecer ter cometido o pequeno descuido de declarar que colocava a decisão nas mãos do partido. O que nos tempos que correm, no concelho em que estamos e do partido de que falamos seria escusado. Mas as aparências iludem. No mais, este pré-aviso tem três vantagens óbvias. Começa por acalmar as hostes e toca a reunir as tropas. Depois, dá espaço para prevenir atempadamente desordens futuras e explicar convenientemente azedumes internos. Finalmente, põe os potenciais candidatos de tão fracturada oposição a pensar duas vezes. É que há por aí heróis a menos, com medo e vergonha de perder a mais. A não ser por garantida manjedoura. Claro! Mas, verdadeiramente importante, mostra conhecer bem a paróquia – o que não é novidade – colocando já em sentido todos, e são tantos, os que gostam de estar perto do poder ou de, pelo menos, não lhe desagradar. Tudo simples e já!
BUZINÃO: As vozes do PS no Executivo e na Assembleia Municipais, mesmo quando concertadas, não passam de um pífio buzinão. Pina Prata, pelos motivos que se conhecem, é a voz critica mais audível à acção do Presidente. Por agora, quero que fique registado que não escondo, nem nunca escondi, a nossa amizade pessoal. O que não me impede de o reprovar e até censurar sempre que julgo oportuno. O que não o impede de agir politicamente como bem entende. Tem uma estratégia que me parece óbvia e de que a seu tempo falarei.
OS SETE SAPATOS SUJOS: estou a ler o novo romance de Mia Couto “Venenos de Deus, Remédios do Diabo”. Da sua obra recordo as “Estórias Abensonhadas” e “A Varanda do Frangipani”. Mas, nestes dias em que o falatório politiqueiro não desgruda do nível do chinelo, convinha reler uma sua Oração de Sapiência. “…Eu contei sete sapatos sujos que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico. O primeiro sapato - a ideia que os culpados são sempre os outros e nós somos sempre vítimas. …Antes vale andar descalço do que tropeçar com os sapatos dos outros.”
CAIXA DE PANDORA: à boleia dos camionistas seguem-se os reboques, os agricultores, os pescadores e o que mais se verá. O governo cedeu, possuído da síndrome da ponte com os irmãos Pinto, e continuará a ceder. Eles lá sabem, mas não escapam do que fizeram a Cavaco.
BOM POVO: é estimulante a publicidade da Galp. Um povo ordeiramente esforçado empurra o autocarro da nossa selecção até à Áustria. Com tamanha desfaçatez, só falta mesmo dizer que, se não quiserem assim, paguem a gasolina.
GENERACIÓN Y: “es un Blog inspirado en gente como yo, con nombres que comienzan o contienen una "y griega". Nacidos en la Cuba de los años 70s y los 80s, marcados por las escuelas al campo, los muñequitos rusos, las salidas ilegales y la frustración” (Yoani Sánchez, no Generación Y)
BUZINÃO: As vozes do PS no Executivo e na Assembleia Municipais, mesmo quando concertadas, não passam de um pífio buzinão. Pina Prata, pelos motivos que se conhecem, é a voz critica mais audível à acção do Presidente. Por agora, quero que fique registado que não escondo, nem nunca escondi, a nossa amizade pessoal. O que não me impede de o reprovar e até censurar sempre que julgo oportuno. O que não o impede de agir politicamente como bem entende. Tem uma estratégia que me parece óbvia e de que a seu tempo falarei.
OS SETE SAPATOS SUJOS: estou a ler o novo romance de Mia Couto “Venenos de Deus, Remédios do Diabo”. Da sua obra recordo as “Estórias Abensonhadas” e “A Varanda do Frangipani”. Mas, nestes dias em que o falatório politiqueiro não desgruda do nível do chinelo, convinha reler uma sua Oração de Sapiência. “…Eu contei sete sapatos sujos que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico. O primeiro sapato - a ideia que os culpados são sempre os outros e nós somos sempre vítimas. …Antes vale andar descalço do que tropeçar com os sapatos dos outros.”
CAIXA DE PANDORA: à boleia dos camionistas seguem-se os reboques, os agricultores, os pescadores e o que mais se verá. O governo cedeu, possuído da síndrome da ponte com os irmãos Pinto, e continuará a ceder. Eles lá sabem, mas não escapam do que fizeram a Cavaco.
BOM POVO: é estimulante a publicidade da Galp. Um povo ordeiramente esforçado empurra o autocarro da nossa selecção até à Áustria. Com tamanha desfaçatez, só falta mesmo dizer que, se não quiserem assim, paguem a gasolina.
GENERACIÓN Y: “es un Blog inspirado en gente como yo, con nombres que comienzan o contienen una "y griega". Nacidos en la Cuba de los años 70s y los 80s, marcados por las escuelas al campo, los muñequitos rusos, las salidas ilegales y la frustración” (Yoani Sánchez, no Generación Y)
sábado, junho 21, 2008
A propósito
já que se há-de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas
(Clarice Lispector)
(Clarice Lispector)
quarta-feira, junho 18, 2008
sábado, junho 14, 2008
Fernando Pessoa
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
[Álvaro de Campos. Tabacaria]
segunda-feira, junho 09, 2008
INCONFIDÊNCIAS # 3
DIREITO AO CONTRADITÓRIO: Veremos se o PSD acaba com a guerrilha interna… (Ana Gomes). Veremos se o PS suporta o agravamento da guerrilha interna e da guerra externa.
O FACTOR MANUELA: Manuela Ferreira Leite (MFL) é a nova líder e não deve ser menosprezada. É a primeira mulher à frente de um partido. Vai mudar a forma de fazer política, corrigindo o estilo e retirando ruído. Já mostrou sensibilidade, no pouco que disse, para os temas centrais da politica que interessa. Introduz credibilidade e juízo no PSD. Tudo o que a direita aprecia e o centrão estima, como alternativa ao actual estado das coisas. Paulo Portas já deve ter começado a perceber que vai pregar no deserto. E Sócrates sabe que vai ter que dar corda aos sapatos, porque um ano em politica é uma eternidade. Enquanto uns vão reflectir, outros disponibilizaram-se para o que possa vir por aí, mas à espreita de próxima oportunidade. Mesmo que, como disse o jovem Ângelo Correia, cheire a bafio. E nem vale a pena tentar perceber como é que o professor Patinha entregou mais de 2000 assinaturas, mas só teve 309 votos.
BARBAS DE MOLHO: naquele momento das declarações de Menezes, depois de votar, é dado o tom para o que se seguirá. O democrata que jurou conter-se durante e depois da campanha, foi o que se viu e ouviu. Falou da "canalha", dos "sem carácter", de “outros da mesma laia" e "daquele senhor de barbas". Por maior que seja a vontade de MFL em federar o PPD/PSD, a opção é não ficar refém de ninguém, incluindo os apoiantes da primeira fila, porque há quem só tenha uma ideia fixa, mesmo que dissimulada. Transformar a vida da senhora num verdadeiro inferno ou, porque há um cheirinho a poder no ar, mantê-la em lume brando.
REENCARNAÇÃO: tudo isto, mais o que se passar no Congresso e até às Europeias, deixa muita e boa gente a pensar no que fará Carlos Encarnação. Os da casa e os vizinhos esperam para ver, com desassossego. O PS local fará sondagens e criará um gabinete de reflexão sobre tão extraordinário dilema. Todos e cada um, à sua maneira, passarão pela angustia cantada por Chico Buarque “diz que Deus diz que dá, diz que Deus dará, e se Deus não dá? O que é que a gente faz?” Por mim, como eu sei e me diria o Presidente, é muito simples!
LIGA DOS ULTIMOS: neste programa em que as estrelas também são os adeptos, um jogo do Farense era intercalado por imagens de um adepto-pastor que “sua do cérebro”. Foi deprimente ver o clube mais representativo de uma região, e que já ganhou uma Taça de Portugal, a jogar nos distritais. E posto ao nível do Antes e do Mamarrosa. Nunca é tarde para relembrar que, no futebol, há decisões que são mortais.
MARQUISES: por esta altura do Euro, como muitos portugueses, vou colocar a bandeira na janela. Aos que acham que se trata de uma atitude provinciana, recomenda-se que forrem as suas marquises de alumínio com bandeiras olímpicas compradas nas lojas chinesas.
OUT OF AFRICA: há quem considere que Sydney Pollack não foi um génio e que nenhuma das suas obras vai ficar para a história do cinema. A mim basta-me “África Minha” e “Os Cavalos Também se Abatem”, para que ele se torne inesquecível.
ARGUMENTO INTERESSANTE: “o filme (A Ultima Cartada) não contém qualquer sátira à candidatura de Pedro Santana Lopes, apesar do título...” (Gonçalo Capitão, no Ainda Há Lodo no Cais)
O FACTOR MANUELA: Manuela Ferreira Leite (MFL) é a nova líder e não deve ser menosprezada. É a primeira mulher à frente de um partido. Vai mudar a forma de fazer política, corrigindo o estilo e retirando ruído. Já mostrou sensibilidade, no pouco que disse, para os temas centrais da politica que interessa. Introduz credibilidade e juízo no PSD. Tudo o que a direita aprecia e o centrão estima, como alternativa ao actual estado das coisas. Paulo Portas já deve ter começado a perceber que vai pregar no deserto. E Sócrates sabe que vai ter que dar corda aos sapatos, porque um ano em politica é uma eternidade. Enquanto uns vão reflectir, outros disponibilizaram-se para o que possa vir por aí, mas à espreita de próxima oportunidade. Mesmo que, como disse o jovem Ângelo Correia, cheire a bafio. E nem vale a pena tentar perceber como é que o professor Patinha entregou mais de 2000 assinaturas, mas só teve 309 votos.
BARBAS DE MOLHO: naquele momento das declarações de Menezes, depois de votar, é dado o tom para o que se seguirá. O democrata que jurou conter-se durante e depois da campanha, foi o que se viu e ouviu. Falou da "canalha", dos "sem carácter", de “outros da mesma laia" e "daquele senhor de barbas". Por maior que seja a vontade de MFL em federar o PPD/PSD, a opção é não ficar refém de ninguém, incluindo os apoiantes da primeira fila, porque há quem só tenha uma ideia fixa, mesmo que dissimulada. Transformar a vida da senhora num verdadeiro inferno ou, porque há um cheirinho a poder no ar, mantê-la em lume brando.
REENCARNAÇÃO: tudo isto, mais o que se passar no Congresso e até às Europeias, deixa muita e boa gente a pensar no que fará Carlos Encarnação. Os da casa e os vizinhos esperam para ver, com desassossego. O PS local fará sondagens e criará um gabinete de reflexão sobre tão extraordinário dilema. Todos e cada um, à sua maneira, passarão pela angustia cantada por Chico Buarque “diz que Deus diz que dá, diz que Deus dará, e se Deus não dá? O que é que a gente faz?” Por mim, como eu sei e me diria o Presidente, é muito simples!
LIGA DOS ULTIMOS: neste programa em que as estrelas também são os adeptos, um jogo do Farense era intercalado por imagens de um adepto-pastor que “sua do cérebro”. Foi deprimente ver o clube mais representativo de uma região, e que já ganhou uma Taça de Portugal, a jogar nos distritais. E posto ao nível do Antes e do Mamarrosa. Nunca é tarde para relembrar que, no futebol, há decisões que são mortais.
MARQUISES: por esta altura do Euro, como muitos portugueses, vou colocar a bandeira na janela. Aos que acham que se trata de uma atitude provinciana, recomenda-se que forrem as suas marquises de alumínio com bandeiras olímpicas compradas nas lojas chinesas.
OUT OF AFRICA: há quem considere que Sydney Pollack não foi um génio e que nenhuma das suas obras vai ficar para a história do cinema. A mim basta-me “África Minha” e “Os Cavalos Também se Abatem”, para que ele se torne inesquecível.
ARGUMENTO INTERESSANTE: “o filme (A Ultima Cartada) não contém qualquer sátira à candidatura de Pedro Santana Lopes, apesar do título...” (Gonçalo Capitão, no Ainda Há Lodo no Cais)
segunda-feira, junho 02, 2008
sábado, maio 31, 2008
INCONFIDÊNCIAS # 2
A MARATONA: é inaceitável que a Região Centro seja cada vez mais esmagada entre a macrocefalia de Lisboa e o colosso do Norte. Coimbra já percebeu que nunca mais nada lhe é oferecido de bandeja e que, portanto, o combate à tenaz do concentracionismo é uma maratona. O mesmo é dizer que não haverá dores nem fadiga que nos possam fazer vacilar ou soçobrar, por maior e mais sofrido que seja o percurso. A Região Centro é a única sem aeroporto. Portugal terá três aeroportos a Sul do Tejo - Alcochete, Beja e Faro - e um a Norte do Douro. O mínimo que agora se exige, depois da opção por Alcochete em detrimento da Ota, é a abertura da Base Aérea de Monte Real ao tráfego civil. Por outro lado, só em Lisboa e no Porto é que os transportes são subsidiados pelo Estado. Quando a governança anuncia o congelamento dos passes sociais, obriga-nos a continuar a pagar os nossos, sem apoios estatais, e o aumento do défice dos outros. Talvez José devesse ler Cícero, quando bem disse que nem tudo o que é lícito é honesto.
ROSA DE HIROSHIMA: os vereadores do PS solicitaram aos Tribunais a perda de mandato do Presidente da Câmara, a propósito do processo EuroStadium. Fizeram-no pela calada, apresentando tarde os fundamentos jurídicos. Sem justificações politicas, tanto mais que ajudaram a aprová-lo, confirmam desorientação estratégica e comportamentos erráticos. Mas, não mais que de repente, decidem mostrar serviço. Lançaram a bomba atómica, para disfarçarem a sua tão prolongada inércia.
MEMÓRIA: é tão merecida quanto comovente, a homenagem que os amigos e os filhos de Francisco Lucas Pires lhe prestam quando são passados dez anos sobre a sua morte. Nestes dias que correm velozes fazem falta óculos de ver ao longe, como li algures a propósito deste Homem de Coimbra.
LANTERNA VERMELHA: no relatório sobre a situação social na União Europeia diz-se que, qualquer que seja a forma de medir a desigualdade de rendimentos, Portugal é invariavelmente o ultimo e onde a pobreza é mais extrema. Mesmo que se encontrem culpados e se amanhem desculpas, há números que nos envergonham.
O RISO DA HIENA: somos tocados pelas imagens que nos chegam da África do Sul. O nosso olhar pasma-se quando imigrantes são espancados até à morte ou queimados vivos, ao som do júbilo dos seus carrascos. Não são sorrisos africanos à volta de uma fogueira sob um céu azul estrelar. Há ali risos de hienas que quase igualam tamanha xenofobia ao antigo apartheid.
CABOS DE GUERRA: cada vez mais as eleições nos partidos não se ganham pelo passado apreciável ou pelo futuro promissor, por falar eloquentemente ou estar calado prudentemente. Este é o tempo em que contar espingardas, ou sejam, votos dos militantes, só quer dizer mesmo contabilizar caciques.
NOVO ENCANTO: “Depois das orações de mãos dadas no balneário, sabemos agora que Scolari "anima os jogadores" (SIC, sic) com a música de Roberto Leal. Não tem como não dar certo.” (Pedro Caeiro, no Mar salgado)
ROSA DE HIROSHIMA: os vereadores do PS solicitaram aos Tribunais a perda de mandato do Presidente da Câmara, a propósito do processo EuroStadium. Fizeram-no pela calada, apresentando tarde os fundamentos jurídicos. Sem justificações politicas, tanto mais que ajudaram a aprová-lo, confirmam desorientação estratégica e comportamentos erráticos. Mas, não mais que de repente, decidem mostrar serviço. Lançaram a bomba atómica, para disfarçarem a sua tão prolongada inércia.
MEMÓRIA: é tão merecida quanto comovente, a homenagem que os amigos e os filhos de Francisco Lucas Pires lhe prestam quando são passados dez anos sobre a sua morte. Nestes dias que correm velozes fazem falta óculos de ver ao longe, como li algures a propósito deste Homem de Coimbra.
LANTERNA VERMELHA: no relatório sobre a situação social na União Europeia diz-se que, qualquer que seja a forma de medir a desigualdade de rendimentos, Portugal é invariavelmente o ultimo e onde a pobreza é mais extrema. Mesmo que se encontrem culpados e se amanhem desculpas, há números que nos envergonham.
O RISO DA HIENA: somos tocados pelas imagens que nos chegam da África do Sul. O nosso olhar pasma-se quando imigrantes são espancados até à morte ou queimados vivos, ao som do júbilo dos seus carrascos. Não são sorrisos africanos à volta de uma fogueira sob um céu azul estrelar. Há ali risos de hienas que quase igualam tamanha xenofobia ao antigo apartheid.
CABOS DE GUERRA: cada vez mais as eleições nos partidos não se ganham pelo passado apreciável ou pelo futuro promissor, por falar eloquentemente ou estar calado prudentemente. Este é o tempo em que contar espingardas, ou sejam, votos dos militantes, só quer dizer mesmo contabilizar caciques.
NOVO ENCANTO: “Depois das orações de mãos dadas no balneário, sabemos agora que Scolari "anima os jogadores" (SIC, sic) com a música de Roberto Leal. Não tem como não dar certo.” (Pedro Caeiro, no Mar salgado)
terça-feira, maio 27, 2008
INCONFIDÊNCIAS # 1
DECLARAÇÃO DE INTERESSES: ao iniciar esta coluna devo confessar que não sou imparcial ou neutro, nem pretendo sê-lo. E a peregrina ideia que não é possível questionar o poder, onde uma vez por outra me incluo como membro da Assembleia Municipal, não faz sentido para quem cultiva um espírito livre. Fica assim feito o aviso à navegação, sobretudo para os que não se esforçam no exercício recatado da defesa dos direitos dos cidadãos. Não sou dissidente, porque reconheço e tento cumprir com brio a missão para que aceitei ser eleito. Mas também não sendo cego nem fingidor, serei provocador quanto baste e quando necessário, porque eterno inconformado com o cinzentismo que grassa pela paróquia. Mesmo não metendo a todos no mesmo saco, em Coimbra parece querer morrer-se de nostalgia e haverá até quem declare a sua decadência. Ora, reafirmo aqui a minha crença nesta terra e nestas gentes que moldam o progresso com os olhos postos no futuro.
QUEIMAR A QUEIMA: ou a Queima das Fitas se reforma, mantendo imutável o núcleo essencial da sua identidade, ou passa à história porque cada vez mais desinteressante para os não estudantes. Há assuntos demasiadamente sérios para serem tratados por um qualquer tremendista que se albarda da importância que ninguém lhe reconhece. Convém relembrar que a queima renasceu em 80 contagiada pelo apoio do povo anónimo e o entusiasmo incondicional dos antigos estudantes. Mas tornar-se-á cada vez mais irrelevante, quase uma private party, enquanto os dirigentes não perceberem que é fundamental reconquistar-nos a todos para a participação. E isto já lá não vai só com reajustes e muito menos com água de rosas.
DIVINA PROVIDÊNCIA: aceito pragmaticamente a ideia de que na política actual, principalmente na local, possa haver rigidez estratégica mas muita flexibilidade táctica. É o que me ocorre sempre que vejo o vereador do CDS a co-habitar com o da CDU, unidos na mesma luta. Por Coimbra, claro! Aliás, Frei Beto já tinha declarado que um cristão é um comunista, mesmo que o não queira e que um comunista é um cristão, mesmo que não creia.
COIMBRINHAS E COIMBRÕES: é de todo o interesse ler os tópicos do Professor Gomes Canotilho para uma intervenção sobre esse tema, retirados das conversas na Quinta das Lágrimas. Até para que se possa discordar de quem pensa e sabe pensar nos assuntos.
É SÓ FUMAÇA: alguém pediu a José Sócrates para deixar de fumar? Tão só lhe exigíamos que cumprisse a lei que tanto alardeou. Porque o exemplo é fundamental, sobretudo quando provindo de um fundamentalista. O mesmo que teimou na co-incineração em Souselas.
CALDOS DE GALINHA: nas directas para a liderança do PSD é de toda a prudência esperar para ver. E sobretudo não desdenhar da sabedoria popular de que até ao lavar dos cestos é vindima. Para finalmente ainda confirmar se o príncipe eleito ultrapassa o rubicão dos seis meses.
VELHA ACADEMIA: “Uma pessoa cria um blog … e de repente transforma-se num local onde se lava roupa suja em forma de anonimato.” (Manuel da Gaita, no Piolho da Solum)
QUEIMAR A QUEIMA: ou a Queima das Fitas se reforma, mantendo imutável o núcleo essencial da sua identidade, ou passa à história porque cada vez mais desinteressante para os não estudantes. Há assuntos demasiadamente sérios para serem tratados por um qualquer tremendista que se albarda da importância que ninguém lhe reconhece. Convém relembrar que a queima renasceu em 80 contagiada pelo apoio do povo anónimo e o entusiasmo incondicional dos antigos estudantes. Mas tornar-se-á cada vez mais irrelevante, quase uma private party, enquanto os dirigentes não perceberem que é fundamental reconquistar-nos a todos para a participação. E isto já lá não vai só com reajustes e muito menos com água de rosas.
DIVINA PROVIDÊNCIA: aceito pragmaticamente a ideia de que na política actual, principalmente na local, possa haver rigidez estratégica mas muita flexibilidade táctica. É o que me ocorre sempre que vejo o vereador do CDS a co-habitar com o da CDU, unidos na mesma luta. Por Coimbra, claro! Aliás, Frei Beto já tinha declarado que um cristão é um comunista, mesmo que o não queira e que um comunista é um cristão, mesmo que não creia.
COIMBRINHAS E COIMBRÕES: é de todo o interesse ler os tópicos do Professor Gomes Canotilho para uma intervenção sobre esse tema, retirados das conversas na Quinta das Lágrimas. Até para que se possa discordar de quem pensa e sabe pensar nos assuntos.
É SÓ FUMAÇA: alguém pediu a José Sócrates para deixar de fumar? Tão só lhe exigíamos que cumprisse a lei que tanto alardeou. Porque o exemplo é fundamental, sobretudo quando provindo de um fundamentalista. O mesmo que teimou na co-incineração em Souselas.
CALDOS DE GALINHA: nas directas para a liderança do PSD é de toda a prudência esperar para ver. E sobretudo não desdenhar da sabedoria popular de que até ao lavar dos cestos é vindima. Para finalmente ainda confirmar se o príncipe eleito ultrapassa o rubicão dos seis meses.
VELHA ACADEMIA: “Uma pessoa cria um blog … e de repente transforma-se num local onde se lava roupa suja em forma de anonimato.” (Manuel da Gaita, no Piolho da Solum)
quarta-feira, abril 16, 2008
Caderno dos Delírios
A experiência dos caçadores no deserto do Kalahari aconselha, às vezes, a praticar a caça de espera. Esta modalidade não é muito do meu agrado, pois ficar empoleirado numa mutala, para que a onça saia ou seja obrigada a sair da toca, mostrando-se por inteiro, obriga frequentemente a longas e desconfortáveis jornadas.
quinta-feira, abril 10, 2008
Ensaio sobre a Cagança
Aponto no meu caderno:
O tempo ensinou-me e o momento comprova que a paciência requer muita prática.
segunda-feira, março 17, 2008
Ensaio sobre a Cagança
Aponto no meu caderno:
Como queriam que eu devera ser se não fora eu não querer?
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Ensaio sobre a Cagança
Aponto no meu caderno:
A propósito de causas, que não de outras cousas, eu pecador me confesso - Luto sempre contra as tentações, só que elas ganham sempre!...
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Ensaio sobre a Cagança
Aponto no meu caderno:
Sou feliz por preguiça. Porque, ser infeliz, dá muito trabalho!
terça-feira, janeiro 29, 2008
segunda-feira, janeiro 14, 2008
O IMORTAL
Há trinta anos eu pensava que era imortal. Nós passamos a vida a olhar para a frente, mas só a entendemos quando olhamos para trás. E aí, o que faz a diferença, resume-se a pessoas e emoções.
Há trinta anos eu gostaria que me tivessem falado do factor tempo. À medida que olho pelo retrovisor não me arrependo dos erros, mas das oportunidades perdidas e das palavras não ditas.
Há trinta anos eu desconhecia o sentido do equilíbrio. Só agora descobri que significa aprender a dizer não. Ensinaram-nos a dizer sim por educação. Mas dizer não, quando se quer dizer não, é o maior economizador de tempo da nossa vida.
Há trinta anos eu não sabia que devia manter-me vivo o suficiente para ter sorte. Os anos deixam rugas na pele, mas a perda de entusiasmo deixa rugas na alma. Eu gostaria que me tivessem dito para seguir os sonhos, porque o importante é sermos nós mesmos e não o que os outros esperam. Que não nos devemos impressionar se nos juram que os sonhos são imprudentes. Ora essa! Eles não foram criados para serem prudentes, mas para darem sentido à nossa vida.
Há trinta anos eu não sabia distinguir um contratempo de um revés ou de uma tragédia. A maioria das coisas más da vida são contratempos. Os reveses são mais sérios, mas corrigem-se. As tragédias são diferentes e só quando passamos por elas é que as sentimos verdadeiramente. Assim, todos os acontecimentos devem ser sempre colocados em termos de proporção e perspectiva.
Há trinta anos eu não tinha cuidado com o síndrome das pessoas cinzentas. As que se adaptam e não contestam. Mas aprendi desde então a não ter medo de me opor e ser controverso. Faço alguns inimigos, porque não me dobro ou vendo, mas faço melhores amigos. É essencial ter a coragem de arriscar, porque uma vida sem perigos leva a arrependimentos tardios. E não ter receio de ser diferente dos que nos rodeiam, porque não há respostas únicas para este mundo.
Há trinta anos disseram-me que trabalhar no duro era o mais importante, mas não me ensinaram a saborear o aroma das flores. Por isso eu vos digo: sonhem, cantem e mantenham o sentido de humor. É o que faço, para além de escalar montanhas, nadar contra a correnteza dos rios, andar descalço por sobre as folhas caídas no Outono, divertir-me neste carrossel da vida e às vezes rir-me de mim mesmo quando me olho ao espelho de manhã.
Há trinta anos eu gostaria que me tivessem falado do factor tempo. À medida que olho pelo retrovisor não me arrependo dos erros, mas das oportunidades perdidas e das palavras não ditas.
Há trinta anos eu desconhecia o sentido do equilíbrio. Só agora descobri que significa aprender a dizer não. Ensinaram-nos a dizer sim por educação. Mas dizer não, quando se quer dizer não, é o maior economizador de tempo da nossa vida.
Há trinta anos eu não sabia que devia manter-me vivo o suficiente para ter sorte. Os anos deixam rugas na pele, mas a perda de entusiasmo deixa rugas na alma. Eu gostaria que me tivessem dito para seguir os sonhos, porque o importante é sermos nós mesmos e não o que os outros esperam. Que não nos devemos impressionar se nos juram que os sonhos são imprudentes. Ora essa! Eles não foram criados para serem prudentes, mas para darem sentido à nossa vida.
Há trinta anos eu não sabia distinguir um contratempo de um revés ou de uma tragédia. A maioria das coisas más da vida são contratempos. Os reveses são mais sérios, mas corrigem-se. As tragédias são diferentes e só quando passamos por elas é que as sentimos verdadeiramente. Assim, todos os acontecimentos devem ser sempre colocados em termos de proporção e perspectiva.
Há trinta anos eu não tinha cuidado com o síndrome das pessoas cinzentas. As que se adaptam e não contestam. Mas aprendi desde então a não ter medo de me opor e ser controverso. Faço alguns inimigos, porque não me dobro ou vendo, mas faço melhores amigos. É essencial ter a coragem de arriscar, porque uma vida sem perigos leva a arrependimentos tardios. E não ter receio de ser diferente dos que nos rodeiam, porque não há respostas únicas para este mundo.
Há trinta anos disseram-me que trabalhar no duro era o mais importante, mas não me ensinaram a saborear o aroma das flores. Por isso eu vos digo: sonhem, cantem e mantenham o sentido de humor. É o que faço, para além de escalar montanhas, nadar contra a correnteza dos rios, andar descalço por sobre as folhas caídas no Outono, divertir-me neste carrossel da vida e às vezes rir-me de mim mesmo quando me olho ao espelho de manhã.
Assim sendo, tenho muitos mais questões reais, mas muito menos problemas imaginários.
terça-feira, janeiro 08, 2008
Ensaio sobre a Cagança
Aponto no meu caderno:
Saibamos sempre separar o trigo do enjoo, é o meu voto para 2008.
Saibamos sempre separar o trigo do enjoo, é o meu voto para 2008.
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