Preciosos os sentimentos que mexendo-se tão devagar demoram uma eternidade a abandonar-nos e a mudar de lugar.
terça-feira, janeiro 30, 2007
Felizes para sempre
Apaga a luz - disse ela.
Dá-me um beijo - pediu ele.
E nunca mais gastaram palavras.
Dá-me um beijo - pediu ele.
E nunca mais gastaram palavras.
domingo, janeiro 28, 2007
Ensaio sobre a Cagança
Aponto no meu caderno:
Sinto-me aqui como um achigã, aquele peixe a que chamam a truta do sul. Mas será que sabem que há um sul para lá do sul? E será que o achigã sabe ou sequer desconfia do mar imenso que está para além deste rio estreito entre-margens de chão minado?
Sento-me aqui e mesmo a cantar de galo sinto-me como um pavão triste. Quando não um peru já trinchado à procura da sua véspera. E a culpa chora em prosa abraçada a mim.
Sinto-me aqui como um achigã, aquele peixe a que chamam a truta do sul. Mas será que sabem que há um sul para lá do sul? E será que o achigã sabe ou sequer desconfia do mar imenso que está para além deste rio estreito entre-margens de chão minado?
Sento-me aqui e mesmo a cantar de galo sinto-me como um pavão triste. Quando não um peru já trinchado à procura da sua véspera. E a culpa chora em prosa abraçada a mim.
quarta-feira, janeiro 24, 2007
Febre Canalha
Em noites de manso luar ou em manhãs de breve sol anoto os meus lugares e sonhos perdidos onde, num tempo distante, imaginei nesgas de paraíso: uma rua, um recanto, um conto, uma praça, uma árvore, um banco de jardim, um pássaro com asas de vento, os acordes de uma canção, os olhos cegos de paixão, um livro desencantado, um sorriso que toca, uma quinta-feira, o deserto, uma ilha deserta, um quadro enigmático, um porto para a ousadia do mar, um fantasma que dança comigo, um céu à volta dos astros, um silêncio denso, uma passagem secreta, um cão amarrado a uma trela, uma fotografia a preto e branco, um palco, uma festa, uma feira, um chão de mármore, um filme, um rosto, um calendário, um passeio, um testemunho de inocência feita tempestade, uma jura reafirmada, uma bola que rola, uma finta, uma fífia, uma história de afectos, uma promessa de fim da estrada, o som da rádio em desassossego, um duche frio sobre a resignação, um sussurro, um véu, uma criança, um papagaio de papel, um pecado perfumado, a margem de um rio, uma febre, um mapa para um plano vadio, outra febre, uma brincadeira na areia, a celebração da vida e outra febre, um derrame de azul ou de verde ou de amarelo canário. Uma miragem.
segunda-feira, janeiro 22, 2007
o tópico
Quem?
Eu, tu, nós?
Os olhos,
as palavras, o pudor,
os enfeites, as miragens, a canção,
os gritos, o silêncio,
os lábios.
Meus, teus, nossos?
Quais?
Eu, tu, nós?
Os olhos,
as palavras, o pudor,
os enfeites, as miragens, a canção,
os gritos, o silêncio,
os lábios.
Meus, teus, nossos?
Quais?
sábado, janeiro 13, 2007
A caminho de mim
Escrevo para dentro. E há quem lhe chame egoísmo? Rasgo trincheiras para que os afectos não se rendam. Abrigo-me onde a chuva não seja triste e haja sentido para pausas mágicas. Escrevo para dentro de mim. E há quem lhe chame egoísmo? Cai-me o que escrevo aos tombos neste laboratório de vento onde apuro a arte do voo.
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Caderno dos delírios
Há sempre um trilho que conduz ao tempo suspenso no avesso das montanhas e nos permite desviar do carreiro da bem-pensância dos arrumadinhos.
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Fotógrafo do Nunca e de outras Raridades
Este é o tempo das raridades. Porque este é o tempo dos pássaros de asas atadas. Uma carta é uma raridade. Raridade é cavalgar ondas no dorso das dunas. Ingénua emoção de cavaleiro épico em busca do espanto original no perfume das flores do deserto. Um modelo sem molde é uma raridade. Raridade é sonhar à sombra de mucuios à beira de um rio. E depois colher açucenas imaginárias ou outras flores nascidas de sementes trazidas pelo vento leste. Porque nunca se deixa prender entre comportamentos de margens estreitas. Este é o tempo que matou o tempo em que se dizendo nunca se queria dizer agora. Uma fotografia rara que acendia pirilampos em plena escuridão do dia.
Não é uma raridade eu querer matar-te. Mas se te quero matar, porque preciso de te matar tantas vezes?
segunda-feira, janeiro 08, 2007
À esquina do tempo
O tempo não se dobra nem se gasta. Desgasta-me mas não me verga. Os olhos pedem-me mundo mas também a margem de um rio onde possa serenar o coração.
O encantador de miragens
Sobra-me em vontade o que me falta em talento: nunca conseguirei ensinar um canário a cantar quanto mais encantar as miragens que me morrem nos olhos.
Circunstâncias
Há circunstâncias em que alguém demitir-se é um acto de responsabilidade. Um exercício mínimo contra o acocorar da honra. Na verdade, há circunstâncias que quando alguém se não demite há outro alguém que se está demitindo. Perigosamente …
Há um incompreensivel mistério, quase um despropósito, nos que temem ser condenados à liberdade. E aqueles que terão de ser punidos não devem esperar que, para eles e só para eles, à justiça vacile o braço que ergue a espada.
sábado, janeiro 06, 2007
água benta
Esta noite apetece-me dobrar a esquina dos silêncios que há em mim. Dar dois passos adiante. Depois descansar bem mergulhado e melhor arrolhado em aguardente de medronho. Ao regressar mil anos adiante descobrir que tudo não passou de um sonho. Até mesmo a solidão se pode embebedar assim. Ou então com repetidas pequenas doses de presunção de amante.
sexta-feira, dezembro 29, 2006
A suplica do nunca mais
Nunca deixo de te mentir e escrever-te, calar-me, falar-te, sentir. nunca deixo nunca de ouvir os teus segredos pousados em estendais à beira-mar e os códigos secretos da praia do meu silêncio em sábados por te revelar. nunca. nunca os abraços desertos teus serão meus nem os meus braços mudos os teus. nunca. deixo de te mentir e ler-te, amar-me, cantar-te, sorrir. nunca deixes mais. nunca. nunca mais.
terça-feira, dezembro 26, 2006
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Eu sou o meu herói
Aqui nas dunas a falar-te de mim.
Dos sonhos que dançam comigo todas as noites. Inverno de andorinhas que pousam devagar e teimam que não sabem voar. Dos carreiros de areia fina onde os meus passos se vingam em marcha lenta. Vales perdidos entre montes sem fim quando perguntavas por ti e eu sem me encontrar. Dos velhos ribeiros que me correm nas veias querendo ser ondas e ter uma praia para namorar. E que morrem cansados na ilusão de que são rios caudalosos ou até correntes do mar. Do sabor a sal que há no silêncio das palavras por dizer. E nas promessas por fazer. Tempestades caprichosas que me dão guinadas ao destino por domar. Do cheiro a fruta madura que apetece e que o teu corpo me parece. Coração debruçado no parapeito dos olhos com que retoco os teus cabelos em desalinho no ar.
Aqui nas dunas a segredar-te por mim.
Dos gritos calados. Dos silêncios magoados. Das tardias manhãs que não voltam mais. Das miragens que há nos meus olhos desertos. Das noites de lua cheia que iluminam os verões. Os meus dedos trémulos de espanto nas esperas da tua pele. Os teus lábios incendeiam-me os sentidos. Uma tempestade anunciada. De mãos e corpos à beira do precipício, línguas de sol a pique, paixão à borda do abismo, amor, amor. A teia tecendo a aranha. Vem, minha, tua, teu, mulher, fogo, fogueira, isso, mais, sim, noite fora, desejo, dá-me, dou-te, recebe-me, teu, os braços e os abraços. Perco-me e perdendo-me minto-te e desminto. Falta-me tudo quando já toda te tenho. Adivinho-te a alma remendada de estrelas enquanto o fumo do meu cachimbo invade o céu.
Aqui nas dunas a descobrir-te para mim.
Finalmente convoco os deuses todos e cego-lhes os olhos. Prendo-lhes as mãos atrás das costas. Ato-os e desato-me por fora e por dentro de laços e nós. Faço alinhar um pelotão de fuzilamento. Pergunto-lhes pelo último desejo. Brindo à vida e embebedo-me de sangue. E faço três vezes o sinal. O sinal da cruz fazes três vezes. Então eu sou barco, eu sou vela e sou vento, marinheiro de primeira viajem e eu sou gajeiro. Eu fui o feitiço e o feiticeiro. E habito uma espada que dói. E te fende assim devagar. Porque eu sou mar depois de tanto te amar. E eu sou o meu herói.
Dos sonhos que dançam comigo todas as noites. Inverno de andorinhas que pousam devagar e teimam que não sabem voar. Dos carreiros de areia fina onde os meus passos se vingam em marcha lenta. Vales perdidos entre montes sem fim quando perguntavas por ti e eu sem me encontrar. Dos velhos ribeiros que me correm nas veias querendo ser ondas e ter uma praia para namorar. E que morrem cansados na ilusão de que são rios caudalosos ou até correntes do mar. Do sabor a sal que há no silêncio das palavras por dizer. E nas promessas por fazer. Tempestades caprichosas que me dão guinadas ao destino por domar. Do cheiro a fruta madura que apetece e que o teu corpo me parece. Coração debruçado no parapeito dos olhos com que retoco os teus cabelos em desalinho no ar.
Aqui nas dunas a segredar-te por mim.
Dos gritos calados. Dos silêncios magoados. Das tardias manhãs que não voltam mais. Das miragens que há nos meus olhos desertos. Das noites de lua cheia que iluminam os verões. Os meus dedos trémulos de espanto nas esperas da tua pele. Os teus lábios incendeiam-me os sentidos. Uma tempestade anunciada. De mãos e corpos à beira do precipício, línguas de sol a pique, paixão à borda do abismo, amor, amor. A teia tecendo a aranha. Vem, minha, tua, teu, mulher, fogo, fogueira, isso, mais, sim, noite fora, desejo, dá-me, dou-te, recebe-me, teu, os braços e os abraços. Perco-me e perdendo-me minto-te e desminto. Falta-me tudo quando já toda te tenho. Adivinho-te a alma remendada de estrelas enquanto o fumo do meu cachimbo invade o céu.
Aqui nas dunas a descobrir-te para mim.
Finalmente convoco os deuses todos e cego-lhes os olhos. Prendo-lhes as mãos atrás das costas. Ato-os e desato-me por fora e por dentro de laços e nós. Faço alinhar um pelotão de fuzilamento. Pergunto-lhes pelo último desejo. Brindo à vida e embebedo-me de sangue. E faço três vezes o sinal. O sinal da cruz fazes três vezes. Então eu sou barco, eu sou vela e sou vento, marinheiro de primeira viajem e eu sou gajeiro. Eu fui o feitiço e o feiticeiro. E habito uma espada que dói. E te fende assim devagar. Porque eu sou mar depois de tanto te amar. E eu sou o meu herói.
segunda-feira, dezembro 18, 2006
Guardador de memórias
Guardei-nos
numa garrafa de vidro
de um verde garrafa
de um vidro lembrança
guardei-nos
numa calda de esperança
e agora que faço
destapo ou desfaço?
numa garrafa de vidro
de um verde garrafa
de um vidro lembrança
guardei-nos
numa calda de esperança
e agora que faço
destapo ou desfaço?
quarta-feira, setembro 20, 2006
A ténue fronteira entre o excêntrico e o ridículo
O homem que queria ser a "Rainha de Inglaterra da Académica".
sábado, setembro 16, 2006
quinta-feira, abril 20, 2006
Puro Exibicionismo
É chegada a altura de todos quererem malhar nos blogs. E que os bloggers são escritores falhados, jornalistas frustrados, poetas impublicáveis, espiolheiros, vingativos, invejosos, atormentados com o sucesso alheio, voyeurs envergonhados, etecétera e tal.
Nada disso. O blogger, verdadeiramente, não passa de um exibicionista.
quarta-feira, abril 19, 2006
BÉLEZA, meu irmão
A TV Cabo substituíu o GNT pela TV Record. A paupérrima TV Record está ligada à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), aos seus negócios, sermões, pastores, cerimónias e dízimos. Está bem de ver as razões que levaram a TV Cabo e em último caso a PT a trocar a fantástica programação do GNT pela porcalhota chinfrideira da TV Record: o dinheirinho. E consta que fresco. Talvez com direito um dia destes a uma investigação obrigatória.
Aliás, outra coisa não era de esperar dos mamões engravatados e de lenço branco à lapela que administram a PT. Que interessa a programação? Que interesse têm os assinantes? Que interesse tem a Cultura? O que é isso de qualidade e bom gosto? À PT só interessa o dinheiro. Mesmo que provindo do saco sem fundo das missas da IURD. A nós não nos interessa esta TV Cabo. Por mim vão pastar para outra freguesia.
Palermas!
Aliás, outra coisa não era de esperar dos mamões engravatados e de lenço branco à lapela que administram a PT. Que interessa a programação? Que interesse têm os assinantes? Que interesse tem a Cultura? O que é isso de qualidade e bom gosto? À PT só interessa o dinheiro. Mesmo que provindo do saco sem fundo das missas da IURD. A nós não nos interessa esta TV Cabo. Por mim vão pastar para outra freguesia.
Palermas!

terça-feira, janeiro 31, 2006
Esperança engomada
Desaprendi de pedalar versos:
neve rima com never? e
casuarinas com miragens? e
pátria com exílio? e
infância com cansaço? e
esperança rima com quê?
Morri de ficar aqui.
neve rima com never? e
casuarinas com miragens? e
pátria com exílio? e
infância com cansaço? e
esperança rima com quê?
Morri de ficar aqui.
terça-feira, setembro 27, 2005
Façamos um acordo esta noite
Sonhei comigo esta noite. Tinha miragens nos olhos de tão bela madrugada.
Pulei dunas e ouvi vozes nesta praia abandonada.
Sonhei comigo esta noite.
E por nunca te encontrar acabei por procurar no meu espelho o teu olhar.
Pulei dunas e ouvi vozes nesta praia abandonada.
Sonhei comigo esta noite.
E por nunca te encontrar acabei por procurar no meu espelho o teu olhar.
quarta-feira, setembro 14, 2005
o meu antigamente perdido
Ando por aqui a ver se encontro o antigamente perdido, numa luta corpo a corpo com sonhos de miragens no deserto. Mas o meu passo lento já não está para danças, quanto mais para corridas contra o tempo.
segunda-feira, setembro 12, 2005
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