Nunca deixo de te mentir e escrever-te, calar-me, falar-te, sentir. nunca deixo nunca de ouvir os teus segredos pousados em estendais à beira-mar e os códigos secretos da praia do meu silêncio em sábados por te revelar. nunca. nunca os abraços desertos teus serão meus nem os meus braços mudos os teus. nunca. deixo de te mentir e ler-te, amar-me, cantar-te, sorrir. nunca deixes mais. nunca. nunca mais.
sexta-feira, dezembro 29, 2006
terça-feira, dezembro 26, 2006
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Eu sou o meu herói
Aqui nas dunas a falar-te de mim.
Dos sonhos que dançam comigo todas as noites. Inverno de andorinhas que pousam devagar e teimam que não sabem voar. Dos carreiros de areia fina onde os meus passos se vingam em marcha lenta. Vales perdidos entre montes sem fim quando perguntavas por ti e eu sem me encontrar. Dos velhos ribeiros que me correm nas veias querendo ser ondas e ter uma praia para namorar. E que morrem cansados na ilusão de que são rios caudalosos ou até correntes do mar. Do sabor a sal que há no silêncio das palavras por dizer. E nas promessas por fazer. Tempestades caprichosas que me dão guinadas ao destino por domar. Do cheiro a fruta madura que apetece e que o teu corpo me parece. Coração debruçado no parapeito dos olhos com que retoco os teus cabelos em desalinho no ar.
Aqui nas dunas a segredar-te por mim.
Dos gritos calados. Dos silêncios magoados. Das tardias manhãs que não voltam mais. Das miragens que há nos meus olhos desertos. Das noites de lua cheia que iluminam os verões. Os meus dedos trémulos de espanto nas esperas da tua pele. Os teus lábios incendeiam-me os sentidos. Uma tempestade anunciada. De mãos e corpos à beira do precipício, línguas de sol a pique, paixão à borda do abismo, amor, amor. A teia tecendo a aranha. Vem, minha, tua, teu, mulher, fogo, fogueira, isso, mais, sim, noite fora, desejo, dá-me, dou-te, recebe-me, teu, os braços e os abraços. Perco-me e perdendo-me minto-te e desminto. Falta-me tudo quando já toda te tenho. Adivinho-te a alma remendada de estrelas enquanto o fumo do meu cachimbo invade o céu.
Aqui nas dunas a descobrir-te para mim.
Finalmente convoco os deuses todos e cego-lhes os olhos. Prendo-lhes as mãos atrás das costas. Ato-os e desato-me por fora e por dentro de laços e nós. Faço alinhar um pelotão de fuzilamento. Pergunto-lhes pelo último desejo. Brindo à vida e embebedo-me de sangue. E faço três vezes o sinal. O sinal da cruz fazes três vezes. Então eu sou barco, eu sou vela e sou vento, marinheiro de primeira viajem e eu sou gajeiro. Eu fui o feitiço e o feiticeiro. E habito uma espada que dói. E te fende assim devagar. Porque eu sou mar depois de tanto te amar. E eu sou o meu herói.
Dos sonhos que dançam comigo todas as noites. Inverno de andorinhas que pousam devagar e teimam que não sabem voar. Dos carreiros de areia fina onde os meus passos se vingam em marcha lenta. Vales perdidos entre montes sem fim quando perguntavas por ti e eu sem me encontrar. Dos velhos ribeiros que me correm nas veias querendo ser ondas e ter uma praia para namorar. E que morrem cansados na ilusão de que são rios caudalosos ou até correntes do mar. Do sabor a sal que há no silêncio das palavras por dizer. E nas promessas por fazer. Tempestades caprichosas que me dão guinadas ao destino por domar. Do cheiro a fruta madura que apetece e que o teu corpo me parece. Coração debruçado no parapeito dos olhos com que retoco os teus cabelos em desalinho no ar.
Aqui nas dunas a segredar-te por mim.
Dos gritos calados. Dos silêncios magoados. Das tardias manhãs que não voltam mais. Das miragens que há nos meus olhos desertos. Das noites de lua cheia que iluminam os verões. Os meus dedos trémulos de espanto nas esperas da tua pele. Os teus lábios incendeiam-me os sentidos. Uma tempestade anunciada. De mãos e corpos à beira do precipício, línguas de sol a pique, paixão à borda do abismo, amor, amor. A teia tecendo a aranha. Vem, minha, tua, teu, mulher, fogo, fogueira, isso, mais, sim, noite fora, desejo, dá-me, dou-te, recebe-me, teu, os braços e os abraços. Perco-me e perdendo-me minto-te e desminto. Falta-me tudo quando já toda te tenho. Adivinho-te a alma remendada de estrelas enquanto o fumo do meu cachimbo invade o céu.
Aqui nas dunas a descobrir-te para mim.
Finalmente convoco os deuses todos e cego-lhes os olhos. Prendo-lhes as mãos atrás das costas. Ato-os e desato-me por fora e por dentro de laços e nós. Faço alinhar um pelotão de fuzilamento. Pergunto-lhes pelo último desejo. Brindo à vida e embebedo-me de sangue. E faço três vezes o sinal. O sinal da cruz fazes três vezes. Então eu sou barco, eu sou vela e sou vento, marinheiro de primeira viajem e eu sou gajeiro. Eu fui o feitiço e o feiticeiro. E habito uma espada que dói. E te fende assim devagar. Porque eu sou mar depois de tanto te amar. E eu sou o meu herói.
segunda-feira, dezembro 18, 2006
Guardador de memórias
Guardei-nos
numa garrafa de vidro
de um verde garrafa
de um vidro lembrança
guardei-nos
numa calda de esperança
e agora que faço
destapo ou desfaço?
numa garrafa de vidro
de um verde garrafa
de um vidro lembrança
guardei-nos
numa calda de esperança
e agora que faço
destapo ou desfaço?
quarta-feira, setembro 20, 2006
A ténue fronteira entre o excêntrico e o ridículo
O homem que queria ser a "Rainha de Inglaterra da Académica".
sábado, setembro 16, 2006
quinta-feira, abril 20, 2006
Puro Exibicionismo
É chegada a altura de todos quererem malhar nos blogs. E que os bloggers são escritores falhados, jornalistas frustrados, poetas impublicáveis, espiolheiros, vingativos, invejosos, atormentados com o sucesso alheio, voyeurs envergonhados, etecétera e tal.
Nada disso. O blogger, verdadeiramente, não passa de um exibicionista.
quarta-feira, abril 19, 2006
BÉLEZA, meu irmão
A TV Cabo substituíu o GNT pela TV Record. A paupérrima TV Record está ligada à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), aos seus negócios, sermões, pastores, cerimónias e dízimos. Está bem de ver as razões que levaram a TV Cabo e em último caso a PT a trocar a fantástica programação do GNT pela porcalhota chinfrideira da TV Record: o dinheirinho. E consta que fresco. Talvez com direito um dia destes a uma investigação obrigatória.
Aliás, outra coisa não era de esperar dos mamões engravatados e de lenço branco à lapela que administram a PT. Que interessa a programação? Que interesse têm os assinantes? Que interesse tem a Cultura? O que é isso de qualidade e bom gosto? À PT só interessa o dinheiro. Mesmo que provindo do saco sem fundo das missas da IURD. A nós não nos interessa esta TV Cabo. Por mim vão pastar para outra freguesia.
Palermas!
Aliás, outra coisa não era de esperar dos mamões engravatados e de lenço branco à lapela que administram a PT. Que interessa a programação? Que interesse têm os assinantes? Que interesse tem a Cultura? O que é isso de qualidade e bom gosto? À PT só interessa o dinheiro. Mesmo que provindo do saco sem fundo das missas da IURD. A nós não nos interessa esta TV Cabo. Por mim vão pastar para outra freguesia.
Palermas!

terça-feira, janeiro 31, 2006
Esperança engomada
Desaprendi de pedalar versos:
neve rima com never? e
casuarinas com miragens? e
pátria com exílio? e
infância com cansaço? e
esperança rima com quê?
Morri de ficar aqui.
neve rima com never? e
casuarinas com miragens? e
pátria com exílio? e
infância com cansaço? e
esperança rima com quê?
Morri de ficar aqui.
terça-feira, setembro 27, 2005
Façamos um acordo esta noite
Sonhei comigo esta noite. Tinha miragens nos olhos de tão bela madrugada.
Pulei dunas e ouvi vozes nesta praia abandonada.
Sonhei comigo esta noite.
E por nunca te encontrar acabei por procurar no meu espelho o teu olhar.
Pulei dunas e ouvi vozes nesta praia abandonada.
Sonhei comigo esta noite.
E por nunca te encontrar acabei por procurar no meu espelho o teu olhar.
quarta-feira, setembro 14, 2005
o meu antigamente perdido
Ando por aqui a ver se encontro o antigamente perdido, numa luta corpo a corpo com sonhos de miragens no deserto. Mas o meu passo lento já não está para danças, quanto mais para corridas contra o tempo.
segunda-feira, setembro 12, 2005
Eu Tarzan
O cinema da minha infância transbordou-me de sonhos em que eu era cowboy ou tarzan. Mas o Tarzan Taborda, com tanga de leopardo e corpo de Hércules, também faz parte das minhas memórias. Chegou a ser duplo em Hollywood, onde partilhou glórias com John Wayne e com Robert Mitchum.
Dizem-me que ele morreu por estes dias. É mentira! Morreu o gigante Albano de Penamacor. O Tarzan Taborda mantem-se vivo no meu imaginário de criança. Eu, pelo menos eu, fingi vezes sem conta ser ele, quando passeava junto ao mar na praia das minhas miragens.
Não repararam?
Dizem-me que ele morreu por estes dias. É mentira! Morreu o gigante Albano de Penamacor. O Tarzan Taborda mantem-se vivo no meu imaginário de criança. Eu, pelo menos eu, fingi vezes sem conta ser ele, quando passeava junto ao mar na praia das minhas miragens.
Não repararam?
quinta-feira, setembro 08, 2005
Memória da minha rua
Pelo caminho velho, no regresso à casa onde a minha infância teve presépios, a memória estilhaçada não há-de parar de arder.
FADO AFRICANO
Do que eu tenho é saudade ou então eu não sabía do tempo em que não existia essa palavra saudade.
sábado, maio 14, 2005
E DEPOIS DO ADEUS
QUIS SABER QUEM SOU
O QUE FAÇO AQUI
QUEM ME ABANDONOU
DE QUEM ME ESQUECI
PERGUNTEI POR MIM
QUIS SABER DE NÓS
MAS O MAR
NÃO ME TRAZ
TUA VOZ.
EM SILÊNCIO, AMOR
EM TRISTEZA E FIM
EU TE SINTO, EM FLOR
EU TE SOFRO, EM MIM
EU TE LEMBRO, ASSIM
PARTIR É MORRER
COMO AMAR
É GANHAR
E PERDER.
TU VISTE EM FLOR
EU TE DESFOLHEI
TU TE DESTE EM AMOR
EU NADA TE DEI
EM TEU CORPO, AMOR
EU ADORMECI
MORRI NELE
E AO MORRER
RENASCI.
E DEPOIS DO AMOR
E DEPOIS DE NÓS
O DIZER ADEUS
O FICARMOS SÓS
TEU LUGAR A MAIS
TUA AUSÊNCIA EM MIM
TUA PAZ
QUE PERDI
MINHA DOR
QUE APRENDI.
DE NOVO VIESTE EM FLOR
TE DESFOLHEI...
E DEPOIS DO AMOR
E DEPOIS DE NÓS
O ADEUS
O FICARMOS SÓS.
O QUE FAÇO AQUI
QUEM ME ABANDONOU
DE QUEM ME ESQUECI
PERGUNTEI POR MIM
QUIS SABER DE NÓS
MAS O MAR
NÃO ME TRAZ
TUA VOZ.
EM SILÊNCIO, AMOR
EM TRISTEZA E FIM
EU TE SINTO, EM FLOR
EU TE SOFRO, EM MIM
EU TE LEMBRO, ASSIM
PARTIR É MORRER
COMO AMAR
É GANHAR
E PERDER.
TU VISTE EM FLOR
EU TE DESFOLHEI
TU TE DESTE EM AMOR
EU NADA TE DEI
EM TEU CORPO, AMOR
EU ADORMECI
MORRI NELE
E AO MORRER
RENASCI.
E DEPOIS DO AMOR
E DEPOIS DE NÓS
O DIZER ADEUS
O FICARMOS SÓS
TEU LUGAR A MAIS
TUA AUSÊNCIA EM MIM
TUA PAZ
QUE PERDI
MINHA DOR
QUE APRENDI.
DE NOVO VIESTE EM FLOR
TE DESFOLHEI...
E DEPOIS DO AMOR
E DEPOIS DE NÓS
O ADEUS
O FICARMOS SÓS.
Questionário
Que tipo de mulher prefere?
A leitora de Grande Hotel.
O que nota numa mulher à primeira vista?
A alma.
Qual a linha da moda que mais aprecia?
Não acredito em moda.
Que pensa dos perfumes na mulher?
Prefiro o cheiro específico, nato, que cada mulher tem.
Qual a qualidade que mais aprecia numa mulher?
A ignorância.
Qual o defeito que mais condena nela?
Qualquer veleidade intelectual.
Nos seus bate-papos diários depois do trabalho, prefere a presença dos homens ou das mulheres?
Acho o homem extremamente desagradável.
Qual a fase que mais aprecia nas relações com a mulher: namorada, noiva, amiguinha ou "caso"
Sou admirador da namorada.
Considera que a mulher tem de ser uma boa dona-de-casa?
Considero que a mulher só tem de ser dona-de-casa.
Nelson Rodrigues para a revista Manchete, 1957
(No livro Anjo Pornográfico, de Ruy Castro)
A leitora de Grande Hotel.
O que nota numa mulher à primeira vista?
A alma.
Qual a linha da moda que mais aprecia?
Não acredito em moda.
Que pensa dos perfumes na mulher?
Prefiro o cheiro específico, nato, que cada mulher tem.
Qual a qualidade que mais aprecia numa mulher?
A ignorância.
Qual o defeito que mais condena nela?
Qualquer veleidade intelectual.
Nos seus bate-papos diários depois do trabalho, prefere a presença dos homens ou das mulheres?
Acho o homem extremamente desagradável.
Qual a fase que mais aprecia nas relações com a mulher: namorada, noiva, amiguinha ou "caso"
Sou admirador da namorada.
Considera que a mulher tem de ser uma boa dona-de-casa?
Considero que a mulher só tem de ser dona-de-casa.
Nelson Rodrigues para a revista Manchete, 1957
(No livro Anjo Pornográfico, de Ruy Castro)
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